Blog - Nutrição

Alimentação é uma simples questão de escolha?

Se tivesse que escolher uma única imagem que mais me desagrada quando se fala de dieta ou emagrecimento, seria essa. E, infelizmente, ela é uma das mais utilizadas...

O grande problema é que ela trata  o comer como uma questão inteligência, na qual se você é inteligente, escolherá a fruta, mas se você escolher o hambúrguer ou o bolo, você foi burro ou incapaz. E é exatamente assim que ela faz as pessoas se sentirem, não é verdade?

No entanto, essa é uma visão muito simplista de uma relação extremamente complexa. Nosso consumo alimentar não é guiado por uma questão de inteligência e sim por diversos fatores sociais, emocionais e ambientais. No texto de hoje abordaremos alguns dos fatores ambientais.

Brian Wansink estuda há décadas como os fatores externos influenciam nosso consumo alimentar. Em seu recente livro “Slim by Design” (publicado apenas nos EUA), relata que a chave para o emagrecimento está em mudar o ambiente que frequentamos, para não cairmos em algumas ciladas em nosso dia-a-dia.

De fato, tudo à nossa volta influencia nosso consumo alimentar: o tamanho do prato, do copo, do talher, onde você coloca as frutas na sua casa (em local visível ou escondidas dentro da geladeira?), se você deixa comida visível na sua casa/trabalho -  entre diversos outros fatores.

Estudos têm demonstrado que esses fatores externos muitas vezes influenciam até mais do que o sabor do alimento. Um desses estudos, que teve como objetivo avaliar o que influencia o consumo alimentar - o tamanho das porções ou o sabor do alimento - realizou experimento que funcionava assim: ao chegar ao cinema cada participante recebia um pacote de pipoca. Eram dois tamanhos de pacote, pequeno ou grande, que continham, respectivamente, pipoca fresca ou pipoca que tinha sido estourada há 14 dias!

Como era esperado, as pessoas que receberam o pacote maior comeram 33% a mais quando comparadas às que receberam o menor. E o sabor? Influenciou pouco. Mesmo quando as pessoas receberam a pipoca murcha, o tamanho do pacote foi fundamental no consumo. Eles comeram 45% a mais de pipoca de pipoca murcha do que os participantes que receberam pipoca fresca no pacote pequeno.

Em outro estudo Wansink demonstrou que se, ao invés de deixar algo comestível em cima da mesa (inclusive no trabalho) com muito fácil acesso, você o colocar a cerca de 2 metros de distância, num local que você não olhe diretamente, isso diminuirá pela metade seu consumo alimentar!

Esses resultados demonstram duas coisas importantes:

- Quando estamos desatentos ao que comemos (eles estavam no cinema), comemos até comida ruim;

- O tamanho da porção é o principal fator que guia nosso consumo alimentar;

- Deixar alimentos com fácil acesso (físico e visual) é um perigo.

 

Pensando bem:

Emagrecer realmente pode até ser uma questão de escolha:

- Escolha do tamanho do prato e do copo que você utiliza;

- Escolha da porção de comida servida no restaurante;

- Escolha dos locais onde você colocará as frutas, os potes de bolachas e os doces...

São pequenas escolhas que você pode fazer que, com certeza, farão grande diferença no seu dia-a-dia...

 

 

Até a próxima!

Desire Coelho - Blog Ciência Informa

www.cienciainforma.com.br

 

Para saber mais:

Wansink et al. Bad popcorn in big buckets: portion size can influence intake as much as taste. J Nutr Educ Behav. 2005, sept-oct 37(5):242-5.

Wansink et al. The ohhice candy dish: proximity´s influence on estimated and actual consumption. Int J Obes (London). 2--6, may 30(5):871-5



Livro A Dieta Ideal Desire Coelho - Marcio Atalla



Olá, meu nome é Desire Coelho e sou formada em Nutrição e em Esporte.

Meu grande desafio é ajudar as pessoas a entenderem um pouco mais sobre os dois relacionamentos mais duradouros que temos em nossas vidas: com a comida e com o nosso corpo.

A área da nutrição vem passando por um momento muito delicado, repleto de mitos e extremismos que têm gerado uma grande histeria nas pessoas que buscam uma vida mais saudável.

Minha proposta é partilhar os conhecimentos adquiridos em minha experiência clínica e acadêmica com os profissionais da área e o público em geral: sem mitos, sem terrorismo, mas com consciência e, principalmente, ciência!

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