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Alimentos diet e light funcionam?

Com o avanço da obesidade e do mercado “fitness” a indústria alimentícia tratou logo de criar inúmeros produtos “diet” e “light” para ajudar o consumidor a alcançar seus objetivos de emagrecimento. Mas será que eles ajudam mesmo?

Antes de discutir o efeito deles, vamos entender suas diferenças:

Light – significa que aquele produto possui 25% menos calorias ou dos seguintes nutrientes: açúcares, gordura saturada, gorduras totais, colesterol e sódio, quando comparado com o produto tradicional ou similar.

Diet – significa que ele não possui um ou mais dos seguintes nutrientes: carboidrato, proteína, gordura ou sódio. Por isso, ao contrário dos que muitos pensam, nem todo produto diet leva ao emagrecimento.

Uma questão importante é que em muitos produtos “diet” os fabricantes acabam aumentando a quantidade de algum outro nutriente para garantir um sabor, durabilidade ou uma textura melhor. Por isso, não ache que todo produto diet também é menos calórico, ou até mesmo mais saudável, pois muitas vezes isso não acontece!

Um dos produtos mais utilizados na tentativa de reduzir as calorias consumidas são os adoçantes artificiais. Eles podem ser consumidos separados ou já adicionados em diversos produtos disponíveis no mercado, como sucos, iogurtes, barras de cereais, granola, achocolatados, doces… A premissa desses produtos é que a redução no consumo de calorias favoreceria um balanço energético negativo e, consequentemente, a perda de peso e o emagrecimento. Alguns estudos bem controlados demonstram um efeito benéfico desses produtos no emagrecimento. Porém, nós não vivemos em um ambiente bem controlado, não é mesmo?

Ao contrário desses estudos, nos quais as pessoas são obrigadas a seguir determinada dieta, nós sofremos diversas influências do ambiente que irão interferir diretamente no nosso consumo alimentar. Um dos aspectos mais discutidos hoje sobre o consumo desses produtos se refere ao aspecto psicológico. Estudos demonstram que quando as pessoas comem algo que julgam saudável (consciente ou inconscientemente) elas tendem a comer mais. Se o objetivo da pessoa for o emagrecimento, isso acaba sendo bem improdutivo.

Um desses estudos verificou o efeito de produtos do tipo light no consumo alimentar. Para isso os participantes eram convidados para uma festa informal e, ao chegarem no local, eles tinham que optar entre um pote de chocolates em que havia a inscrição de chocolate normal, ou um que continha a descrição de um chocolate low-fat, baixa quantidade de gordura. No entanto, apesar dos participantes não saberem, todos os chocolates eram iguais. Ao final de algumas horas, os pesquisadores anotaram a quantidade de chocolate consumida e calcularam o total de calorias. Após isso perguntaram às pessoas quanto elas achavam que tinham consumido.

De um modo geral, todo mundo achava que havia consumido bem menos  do que a realidade. as pessoas que pegavam o chocolate “low-fat” consumiram em média 28% a mais do que as pessoas que consumiram o chocolate normal, ou seja, por acharem que o chocolate era light elas de fato se permitiram comer mais.

Além do aspecto psicológico, outro fator estudado é o efeito fisiológico do consumo desses alimentos. Umas pesquisa verificou que esse tipo de alimento possui uma menor capacidade de estimular as áreas de prazer e recompensa no cérebro. Sendo assim, eles ocasionam uma menor satisfação que pode levar a pessoa a comer uma maior quantidade, na busca dessa sensação (o que explica grande parte do estudo anterior).

Uma das justificativas pelas quais os adoçantes dietéticos seriam inofensivos seria por que eles não são absorvidos pelo nosso corpo. No entanto, apesar disso ser verdade, interessante estudo publicado na revista Nature demonstrou que esses adoçantes, ao chegarem no nosso intestino, ocasiona uma alteração da nossa microbiota intestinal (bactérias presentes no intestino) e isso pode levar a uma série de alterações, até mesmo um prejuízo na tolerância à glicose. Agora pare para pensar, não é justamente as pessoas que possuem esse prejuízo as que mais consomem esse tipo de produto?

Além disso, outro estudo sobre o assunto concluiu que quando pessoas habituadas a utilizar adoçantes dietéticos voltaram a utilizar os adoçantes naturais (mel, açúcar..) de modo controlado, obtiveram maior perda de peso.

Como um professor uma vez me disse, esse mercado é o melhor negócio do mundo: cria um produto que promete milagres, as pessoas compram aquilo, não obtém resultado algum e o produtor ainda diz que a culpa é da pessoa e nunca do produto. Bom, cada vez mais acredito que ele está certo, pois esse é um mercado bilionário que só cresce a cada ano e se esses produtos de fato funcionassem, deveríamos estar observando uma diminuição dos casos de sobrepeso e obesidade, mas não é isso que está acontecendo. Na verdade, a cada ano os índices só aumentam. 

Vale a reflexão…

Desire Coelho - Blog Ciência Informa

www.cienciainforma.com.br

Para saber mais: 

Miller PE, Perez V. Low-calorie sweeteners and body weight and composition: a meta-analysis of randomized controlled trials and prospective cohort studies. Am J Clin Nutr. 2014 Jun 18

Veronique Provencher *, Janet Polivy, C. Peter Herman. Perceived healthiness of food. If it’s healthy, you can eat more! Appetite 52 (2009) 340–344. 



Livro A Dieta Ideal Desire Coelho - Marcio Atalla



Olá, meu nome é Desire Coelho e sou formada em Nutrição e em Esporte.

Meu grande desafio é ajudar as pessoas a entenderem um pouco mais sobre os dois relacionamentos mais duradouros que temos em nossas vidas: com a comida e com o nosso corpo.

A área da nutrição vem passando por um momento muito delicado, repleto de mitos e extremismos que têm gerado uma grande histeria nas pessoas que buscam uma vida mais saudável.

Minha proposta é partilhar os conhecimentos adquiridos em minha experiência clínica e acadêmica com os profissionais da área e o público em geral: sem mitos, sem terrorismo, mas com consciência e, principalmente, ciência!

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